O setor de alimentação em busca de um lugar na mesa

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É fato que a pandemia COVID-19 vai mudar as relações entre as pessoas em vários sentidos. Seja para valorizar os momentos próximos, ter mais atenção com quem faz parte do grupo de risco e, de forma geral, o impacto será grande no dia a dia dos consumidores.

As recomendações das autoridades como medida para conter a propagação do coronavírus fizeram com que grande parte da população passasse a trabalhar de forma remota. O famoso home office, já adotado por alguns trabalhadores mesmo que esporadicamente, agora, tornou-se essencial para a sobrevivência das relações de trabalho. 

Com trabalhadores em casa, a rotina também muda. Muitos conciliam as demandas com os filhos, que também foram dispensados das escolas, outros se equilibram entre trabalho e cuidado com pessoas de risco que moram no mesmo ambiente. A correria continua, só mudou de endereço. 

Em meio a tantas tarefas, a falta de tempo faz com que aumente a demanda de outro setor: o delivery de refeições. Aliás, após o decreto do governador de São Paulo, João Dória, para o fechamento de todos os serviços não essenciais, devido à expansão do coronavírus, os restaurantes (pequenos ou grandes) tiveram de se reinventar.

Adaptar o cardápio para entregas via delivery tem sido a “solução” que muitos restaurantes encontraram para conseguir manter a operação. Assim como na China, onde o auge da pandemia fez com que o delivery de comidas disparasse em 36%, aqui no Brasil não foi diferente: desde restaurantes da alta gastronomia até grandes redes de fast food e serviços de bairro recorreram a este modelo de negócio para sobreviver.

O Mcdonald’s, por exemplo, passou a atender apenas via delivery, drive-thru e pedidos para viagem. Além das medidas de segurança, a gigante do fast food também aderiu a causas sociais para ajudar microempreendedores do setor de alimentação. A rede anunciou a abertura de cursos online gratuitos para profissionais de micro e pequenas empresas de alimentação. A grade de cursos é composta por: segurança alimentar, higiene e desenvolvimento sustentável. 

Outra medida de incentivo foi enviar mais de 80 combos, com lanches, acompanhamentos e bebidas para profissionais de saúde de dois hospitais de São Paulo, com bilhetinhos de  agradecimento ao trabalho intensivo dos médicos e enfermeiros. Outra atitude bacana foi do Outback, que doou mais de 13 mil ovos de Páscoa fabricados por eles para mercados de bairro da cidade de São Paulo, incentivando a compra de pequenos empreendedores. Destes, 6 mil foram como agradecimento aos profissionais de saúde. 

Em seguida, a A BK Brasil, operadora do Burger King e Popeyes também anunciou aos seus consumidores as mesmas medidas de entrega adotadas pelo concorrente, após baixar as portas dos seus quase 900 restaurantes. Enquanto isso, a Domino’s anunciou planos de contratar 10 mil trabalhadores em período integral e parcial para atender às crescentes demandas de entrega em todo o país. As vagas contemplam cargos de motoristas de entrega, pizzarias, representantes de atendimento ao cliente, gerentes e motoristas de caminhão licenciados.

 A alternativa do delivery, no entanto, não garante que os consumidores e entregadores não fiquem expostos à contaminação. Como medida de prevenção, players do setor de delivery, como iFood, UberEats e Rappi implementaram em seus aplicativos a opção de “entrega sem contato”, na qual o consumidor solicita que o entregador deixe a sacola na porta e se afaste por dois metros. O pagamento também é debitado online, para evitar o manuseio de cédulas e moedas. Importante frisar que, mesmo com este afastamento, é necessário adotar procedimentos de segurança, como: higienizar as mãos e a maquininha de cartão durante as entregas. 

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