Ética, autenticidade e consumidores acima de tudo

Pessoas com máscara andando na rua
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Há quem diga que a novela das 9 era, até agora, a única instituição inabalável do Brasil. Pois bem, até o nosso sagrado folhetim diário foi ofuscado pela pandemia do coronavírus. E já não falamos mais em outra coisa – com razão. A doença ameaça todas as esferas do convívio social, então há realmente muito a ser questionado.

Nesse momento único na história, em que a autenticidade e ética das empresas é posta à prova de forma nunca antes vista, não há como postergar o foco total no consumidor e usuário. A ameaça da pandemia que já impacta na rotina de milhares de pessoas, vai deixar marcas profundas no comportamento e estabelecer uma reconfiguração de valores individuais.  

As empresas precisam estar atentas a essas transformações de forma frequente. Todo dia é dia de aprender com a nova realidade e com o passivo para o futuro. As que já estão se solidarizando a esse processo de transformação conquistam o reconhecimento das pessoas. Assim como aquelas que minimizam ou ignoram os riscos estão sofrendo com a cultura do cancelamento.

A rede de restaurantes Domino’s, por exemplo, mudou seu sistema operacional essa semana. “Segurança é nossa prioridade”, a marca afirmou em um post em que explicava a sua Entrega Sem Contato. A ideia é muito simples: o cliente sinaliza o serviço nas observações do seu pedido online, de forma que o funcionário saiba que deve manter um mínimo de 2m – distância segura para evitar o contágio, segundo as autoridades públicas – do cliente, no ato da entrega. Nesse caso, ficam protegidos o cliente e o entregador.

O Shopping Pátio Belém, no Pará, foi na direção oposta. Na foto, veiculada em todas as redes sociais do centro de compras, uma funcionária de limpeza, aparentemente com mais de 60 anos, aparece higienizando o painel de um elevador. A intenção era demonstrar os cuidados que estavam sendo tomados para a segurança dos clientes. Mas a ação foi desastrosa.  A mulher retratada na foto faz parte do principal grupo de risco da pandemia e, pelas diretrizes do Ministério da Saúde, deveria evitar contato com o público. Resultado: massacre nas redes sociais.

Gigantes do luxo, como Louis Vuitton e Prada, estão fazendo a sua parte. A primeira, inclusive, está usando a estrutura de sua fábrica de perfumes para produzir álcool em gel, a ser doado para as autoridades francesas. É preciso lembrar, nestes tempos conturbados, que o coletivo é composto por individuais em séria vulnerabilidade. Valores empreendedores estão sendo colocados a prova como nunca antes, Mas segue vigente a máxima do cliente em primeiro lugar. A solidariedade com ele também é questão de saúde pública.

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